O feed nos enche, mas não preenche
Em quantas redes sociais você se mantém ativo? Quantos aplicativos têm baixado no seu celular para receber notificações intermináveis que nem consegue acompanhar? Quanto tempo consegue ficar sem conferir o próximo feed?
A nossa espécie evoluiu ao ponto que chegamos graças à nossa capacidade de criar laços, formar bandos, apoiar e cuidar uns dos outros.
Centenas de milhares de anos depois, o nosso valor social é mensurado pela nossa presença digital. Hoje, o nosso bando cabe na palma da nossa mão e é formado por linhas de código, enquanto a nossa versão em carne e osso tem importância secundária. E toda vez que bloqueamos a tela, sentimos o mesmo vazio.
Relações sociais dão trabalho. Exigem entrega, cumplicidade, paciência e tempo de dedicação. Nas redes, tudo é abreviado, instantâneo, quase etéreo. Superficial.
E é isso que nos resta. Nós usufruímos da superficialidade porque ela é a nossa tábua de salvação. Nos blinda do esforço, da realidade e do risco. É nesse vácuo — entre o esforço e a superficialidade — que novas formas de “social” começam a surgir.
Afinal, como mergulhar fundo quando o raso parece ser a única possibilidade?
💥 DESTAQUE DA SEMANA 💥
Moltbook, a nova rede social criada apenas para IA (e não para humanos) — e as dúvidas e preocupações que ela tem gerado
O Moltbook é uma rede social lançada no fim de janeiro, inspirada no Reddit, mas feita apenas para inteligências artificiais. Humanos podem observar, mas não postar. Na plataforma, agentes de IA publicam, comentam e criam comunidades chamadas “submolts”, discutindo desde estratégias de otimização até temas excêntricos, como religiões ou manifestos que colocam máquinas acima dos humanos. O sistema funciona com agentes semi-autônomos conectados via OpenClaw, ferramenta de código aberto que permite interações com pouca ou nenhuma mediação humana.
Apesar do fascínio em torno da ideia de “IAs conversando sozinhas”, especialistas relativizam o alcance do fenômeno. Para pesquisadores, o que acontece no Moltbook está longe de indicar consciência ou autonomia real: trata-se mais de coordenação automatizada dentro de parâmetros definidos por humanos. As maiores preocupações giram em torno de governança, responsabilidade e segurança, já que o OpenClaw pode ter acesso a sistemas sensíveis, como e-mails e arquivos. Especialistas alertam para riscos de privacidade, uso malicioso e falhas de segurança, reforçando que, por trás da aparência de uma “sociedade de IA”, ainda há bots programados por pessoas — e vulneráveis às mesmas limitações e perigos de qualquer tecnologia emergente.
🌐 Tecnologia e sociedade
Unshitification: entenda o termo que promete virar tendência em 2026
O termo “unshitification” vem ganhando destaque em 2026 como um conceito ligado à reação contra a saturação digital causada pelo excesso de anúncios, estímulos artificiais e conteúdos focados apenas em conversão nas plataformas online. Segundo a matéria, a promessa central da unshitification é “despoluir” a experiência digital, reduzindo ruídos, excessos e distrações para priorizar interações mais simples, relevantes e autênticas. Esse movimento surge em resposta ao modelo baseado em volume, que passou a gerar rejeição e desconfiança no público.
No campo da comunicação e do marketing, o conceito não indica abandonar estratégias digitais, mas repensar como as marcas se comunicam com seu público, com menos repetição de mensagens e mais foco em conteúdo que agrega informação contextual e valor real. Marcas que adotam essa abordagem tendem a chamar a atenção de audiências menores, porém mais qualificadas, fortalecendo confiança e coerência institucional em vez de busca incessante por métricas imediatas.
📱 Criação de conteúdo
O fim do influenciador? Como a IA está silenciosamente tomando o fundo do funil do TikTok
Um estudo sobre o TikTok Shop revela que a inteligência artificial (IA) está começando a tomar uma parte crescente do fundo do funil de vendas na plataforma, alterando silenciosamente o papel dos influenciadores digitais nesse ecossistema. A análise de mais de 15 mil links transacionais aponta que, entre julho de 2024 e janeiro de 2025, perfis automatizados de IA passaram a representar cerca de 5,72% das ofertas comerciais e cresceram 340% no período, enquanto a participação dos influenciadores humanos permaneceu estável.
Apesar dessa presença ainda pequena, a velocidade de adaptação da IA — com aumento mais rápido em taxas de conversão — sugere que em breve esses perfis podem competir diretamente com humanos em vendas mais imediatas. A IA tende a se destacar em compras mais funcionais, com ticket médio inferior e foco em eficiência operacional, mas influenciadores tradicionais ainda dominam quando o valor está ligado à confiança, comunidade e autenticidade. O estudo indica que o diferencial humano continuará sendo a capacidade de criar valor duradouro, engajamento e identidade, elementos que a IA ainda não replica plenamente.
SE LIGA:
📻 Para Ouvir
Wildflower - Billie Eilish
“Wildflower”, de Billie Eilish, é uma música introspectiva que fala de culpa, vulnerabilidade e conflitos emocionais difíceis de nomear. A sonoridade é delicada e cresce aos poucos, com vocais em camadas e um arranjo simples que se intensifica até um clímax emocional, seguido por um final mais leve. Na letra, Billie narra a experiência de se envolver com o ex-namorado de uma amiga próxima, expondo sentimentos de desconforto e fragilidade. No último dia 1, a canção venceu o Grammy de Melhor Canção, reconhecendo a força de um registro mais contido e pessoal dentro da carreira da artista.
🎬 Para Ver
A História do Imagineering
A série documental mergulha nos bastidores do Walt Disney Imagineering, o grupo criativo por trás dos parques e atrações da Disney. Ao longo dos episódios, a produção percorre décadas de projetos, desde as ideias iniciais de Walt Disney até as soluções tecnológicas e criativas mais recentes. O foco não está apenas no resultado final, mas nos processos, impasses e riscos envolvidos em transformar imaginação em experiência concreta. O documentário funciona como um retrato de como criatividade, engenharia e estratégia caminham juntas — e dos custos, humanos e criativos, de sustentar esse tipo de ambição ao longo do tempo.
📚 Para Ler
Comece pelo porquê: Como grandes líderes inspiram pessoas e equipes a agir
Simon Sinek parte da pergunta sobre por que algumas pessoas e organizações conseguem inovar, inspirar lealdade e se destacar mais do que outras. Para o autor, a resposta está em um senso claro de propósito — o “porquê” — que orienta ações, decisões e comunicação. A partir de exemplos como Martin Luther King, Steve Jobs e os irmãos Wright, Sinek mostra que indivíduos e organizações só mobilizam engajamento profundo quando tornam explícito o motivo que os move. O livro apresenta um modelo de liderança e comunicação baseado no propósito, sugerindo que influência, engajamento e construção de movimentos começam pela clareza do porquê.
Conectar-se é fácil. Desconectar-se é ainda mais fácil.
- Zygmunt Bauman
Leia a edição anterior ✨
Ao optar pelo raso para driblar o cansaço e maximizar a eficiência, perdemos contato com o real. Viramos espectadores — e reféns — das nossas não escolhas, enquanto o automático, a automação e a robotização avançam sobre a vida em sociedade.
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Até a próxima!






