A presença exige escolha
Decidir virou artigo de luxo. É o nosso poder de barganha, o que ainda nos conecta com a realidade à nossa volta. Vemos esse poder se desvanecer todos os dias enquanto nos esforçamos para que nossa voz seja ouvida. Aos poucos, nos habituamos a deixar que nossas escolhas se repitam e que a inércia nos domine.
Nosso dinheiro chega com destino, nosso tempo vem cronometrado. Os interesses e necessidades são gerados antes mesmo de percebermos. Somos influenciados e estimulados à enésima potência.
Tomar decisões é o que nos faz quem somos. As nossas escolhas, independentemente de quais sejam, precisam ser nossas. Mesmo que a gente perca o controle - a derrota só é uma possibilidade pra quem decide, ativamente, atuar no jogo. Se não atuarmos, a gente vira peça no tabuleiro. Um NPC jogado à própria sorte.
A minha decisão não precisa resolver nada e, às vezes, ela nem assume esse compromisso. Mas é ela que me dá a sensação de estar, de novo, dentro da minha própria vida.
E isso muda muita coisa.
💥 DESTAQUE DA SEMANA 💥
As ideias que movimentaram Davos (e para onde elas apontam)
O Fórum Econômico Mundial de Davos 2026, realizado na Suíça entre os dias 19 e 23 de janeiro, expôs um cenário global marcado por rupturas nas dinâmicas econômicas, sociais e políticas, em meio a menor confiança em instituições e incertezas crescentes para o ano que se inicia. O evento reuniu líderes globais para debater como sociedades e economias podem responder a desafios como a ascensão e integração da inteligência artificial e quais serão as implicações dessa tecnologia para emprego, retorno econômico e questões éticas.
As discussões em Davos destacaram preocupações com o papel da IA na transformação do trabalho e na economia, apontando tanto o potencial de crescimento quanto os riscos associados à governança dessa tecnologia — incluindo dilemas éticos e filosóficos sobre como a sociedade deve lidar com sistemas cada vez mais autônomos. Além disso, o encontro refletiu sobre o impacto da instabilidade geopolítica e as possíveis respostas dos países diante de um mundo em transição, sugerindo que 2026 pode ser um ano de decisões críticas e adaptações estratégicas em múltiplos setores.
📱 Redes sociais
Influenciadores combatem o vício em redes sociais e o pessimismo online
Em um ambiente digital marcado por excesso de estímulos e pessimismo constante, alguns influenciadores têm usado as próprias redes sociais para questionar o uso automático dessas plataformas. Em vez de incentivar mais engajamento, eles produzem conteúdos que convidam o público a diminuir o tempo de tela, fechar o aplicativo ou refletir sobre os mecanismos que mantêm as pessoas presas ao feed infinito. Ao longo desses vídeos, explicam como os algoritmos são desenhados para capturar atenção e propõem pequenas intervenções práticas, sem culpa ou discurso moralizante. O objetivo não é abandonar completamente as redes, mas estimular uma relação mais consciente com o ambiente digital, mostrando que até reduções modestas no uso diário podem ajudar a aliviar a sensação de cansaço, ansiedade e negatividade que se acumulam online.
🎭 Cultura
Como o TikTok redescobriu Dostoiévski
No TikTok, um fenômeno inesperado tem impulsionado a leitura de clássicos e movimentado o mercado editorial brasileiro. Noites Brancas, romance de Fiódor Dostoiévski publicado em 1848, tornou-se viral entre adolescentes na plataforma, alcançando um público que muitas vezes não costuma buscar literatura clássica e redefinindo o conceito de “novidade” para livros antigos. Essa redescoberta impulsionou as vendas de obras do autor, transformando um título que costumava vender cerca de mil exemplares por ano em um caso de sucesso semanal nas livrarias brasileiras — um exemplo de como a comunidade de leitura dentro do TikTok pode impactar diretamente o desempenho comercial de um clássico e influenciar padrões de compra de obras consagradas.
SE LIGA:
📻 Para Ouvir
End of Beginning - Djo
A canção fala sobre transição, amadurecimento e a relação entre memória e identidade. A letra revisita lugares e momentos do passado — como as referências a Chicago — para sugerir que cada fase da vida carrega versões diferentes de quem somos, sem que essas camadas se apaguem com o tempo. Lançada originalmente em 2022, a música ganhou novo fôlego ao viralizar no TikTok, onde passou a acompanhar vídeos ligados à nostalgia e a mudanças pessoais. O alcance nas redes se refletiu diretamente no streaming: a faixa chegou ao topo da parada global do Spotify, superando nomes consolidados como Taylor Swift e Bruno Mars, e se tornou o maior sucesso da carreira de Djo até aqui.
🎬 Para Ver
O Último Azul
Tereza, uma mulher de 77 anos, vive em um Brasil distópico, onde idosos são transferidos pelo Estado para colônias afastadas em nome do cuidado. Diante da ordem de deixar sua casa, ela decide seguir outro caminho e embarca em uma viagem pelos rios da Amazônia para realizar um último desejo. Ao longo do percurso, encontros e paisagens transformam a jornada em um gesto de resistência silenciosa. O filme reflete sobre envelhecimento, autonomia e o direito de escolher o próprio destino.
📚 Para Ler
Ideias que Colam: por que algumas ideias pegam e outras não
O livro, de Chip Heath e Dan Heath, analisa por que certas mensagens conseguem se fixar na memória e se espalhar enquanto outras desaparecem. Com base em pesquisas em psicologia e comunicação, os autores identificam padrões recorrentes por trás de ideias eficazes, reunidos no modelo SUCCESs, que envolve simplicidade, surpresa, concretude, credibilidade, emoção e histórias. A partir de exemplos do marketing, da educação, da política e do cotidiano, o livro mostra que ideias bem-sucedidas não dependem apenas de originalidade, mas de clareza, estrutura e capacidade de engajamento.
O que chamamos de liberdade é, antes de tudo, a capacidade de começar.
- Hannah Arendt
Leia a edição anterior ✨
É nas nossas escolhas que nos fazemos presentes. Mesmo quando são erráticas ou triviais, elas ainda são um jeito de existir num mundo que vive decidindo antes da gente. Escolher não resolve tudo, mas, em meio ao que já se automatizou, sustentar uma decisão ainda é uma forma de atuar dentro da própria vida.
Siga a gente nas redes sociais e fique por dentro do nosso mundo.
→ @boletimfaisca
Até a próxima!






